O segundo turno a Deus pertence
 
A algumas horas do dia sagrado da escolha presidencial, defrontamo-nos com três hipóteses: 1. Dilma ganha no 1º turno; 2. Dilma enfrenta Marina no 2º turno; 3. Dilma enfrenta Aécio no 2º turno. Em todos os cenários, o sol desta primavera expõe com seus raios reluzentes o fracasso da mídia e de todo o sistema azeitado pela direita e pelos nostálgicos da ditadura: Dilma está na cabeça e não há factoide que reverta essa evidência cristalina. Na cabeça está e estará, neste domingo ou dia 26, a chefe de Estado mais íntegra da história recente do Brasil. Tão íntegra que não houve balaço que a atingisse por que, de fato, ao contrário dos seus principais adversários de rabos presos, aquela que sacrificou sua juventude por seus ideais permanece apaixonada pelos mesmos valores morais dos que vêem a vida pública como espaço para seus compromissos com a grande maioria, para sonhos possíveis e até os impossíveis. Sua inatacável integridade está a léguas dos seus buliçosos adversários, patrocinados à luz do sol ou por baixo do pano por viciados saqueadores das nossas riquezas e exploradores do suor de nossos rostos. Quem irá para o returno, se o segundo turno vier? A direita ainda prefere o Aécio, mas como a direita é uma quadrilha cleptomaníaca, Marina será bancada sem reservas se for ela a catapultada neste domingo. A direita existe, entenda-se como tal o conjunto de reacionários endinheirados que não admite um tiquinho de atenção social consistente, nada que mine a pirâmide social em que só seus filhos têm direito aos anéis. E mais do que isso: que teve de engolir a seco um ex-operário por 8 anos e que, agora, está de cabeça quente diante da primeira mulher presidenta, o coração valente que encarna toda a simbologia do mais sofrido grito por mudança de nossa história recente. A direita sempre abre um canal com qualquer governo. Mas sabe que Dilma é carne de pescoço. Por isso, suas caspas estão sempre brigando com os travesseiros com receio de uma agudização na estratégia de mudança, até agora conduzida com cautela e habilidade extremas. Isso eu já escrevi faz tempo: todo esse açulamento dos arsenais da direita contra Dilma é movido muito mais pelo que possa ser o seu próximo governo do que pelos movimentos pretéritos. Então você deve estar conjecturando: se Aécio e Marina comem nas mesmas mãos qual dos dois seria melhor para enfrentar no eventual segundo turno? Qualquer um. Em ambos os casos, há prós e contras, como diria o conselheiro Acácio. Até por que não tem essa do terceiro colocado ter a propriedade dos votos recebidos. Todos sabem, inclusive os profissionais do ramo, que até hoje só apareceu um líder com autoridade e consistência para transferir seus votos: foi Brizola, em 1989, depois que dobrou a entristecida militância pedetista e proclamou do alto de sua sabedoria alegórica: "Cá para nós. Um político de antigamente, o senador Pinheiro Machado, dizia que a política é a arte de engolir sapo. Não seria fascinante fazer agora a elite brasileira engolir o Lula, sapo barbudo?" A grande obsessão da direita será fazer algum fagulho tirar Dilma do sério. Porque todo o discurso do seu laboratório será o da negação do governo e não o da afirmação de uma proposta nova, eis que não há nada mais antigo e anacrônico do que insistir na perigosa peroração do retorno à criminalização do poder aquisitivo como insumo da inflação e sua irmã siamesa, a concentração da renda nos cofres dos oligopólios, leia-se com ênfase do sistema financeiro, a quem Marina e Aécio querem entregar o Banco Central de mão beijada. Pelo jogo baixo e o mau caráter de Marina e Aécio, explicitado como troféu nos debates recentes, a trama reacionária não terá escrúpulos, nem limites. Do Malafáia ao Bolsonaro, da manipulação da Bolsa à divulgação de números mentirosos e assustadores, os cabeças dessa articulação capciosa vão deixar Paul Joseph Goebbels no chinelo. Para a direita tirana é preciso controlar a situação para que o feitiço das investigações sobre o escândalo da Petrobrás não se volte contra as grandes empresas que já estão aparecendo como CORRUPTORAS, práticas de priscas eras. É esse outro lado da moeda que vem sendo minimizado para que os malfeitos de um diretor respinguem exclusivamente sobre a candidata preferida pela maioria valente dos brasileiros. No que, aliás, quebraram a cara em meio a um nervoso desapontamento. Felizmente, porém, Deus é pai. Esses ares amenos de uma primavera por florir-se sugerem que a força maior do povo não se renderá às maquinações de alto conteúdo lombrosiano. Há de prevalecer mais uma vez a sabedoria definida num único comentário de Dilma no último debate: se seus os adversários reconhecem os méritos dos programas sociais que estão resgatando a dignidade de milhões de brasileiros, eixos basilares do seu governo, por que retornar ao passado de enganação, em que se usava um exemplo pontual para encher os olhos da massa desvalida? O povo pode não ter frequentado a academia, mas sabe discernir com a simplicidade de um campo de centeio o que realmente interessa para disparar a sua grande arma, o voto que só a ele pertence. Pedro Porfírio. Blog do Porfírio.
 
 
Autor
 
Pedro Porfírio